Quinta-feira, Outubro 26
Não dá mais
Senti vontade de acordá-la com carícias e beijos. Senti vontade de tocar os pés dela.
Mas só observei aquele corpo miúdo que dormia no meu sofá e tinha os contornos iluminados pela televisão de Domingo.
Pois não era quem de fato eu queria.
Não dá mais pr'a ser assim, não dá mais pra não sentir frio na barriga. Não dá mais pr'a deitar por deitar.
Quinta-feira, Outubro 19
Um grande clichê
Tanta gente que eu não vi, tanta coisa que eu não fiz. Duas semanas parecem uma bobagem quando se quer abraçar demais.
De volta ao novo antigo modo, lisergia e frio.
Alguns poucos afagos e amigos, nessa cidade de tons cinza, como diz aquela música do Morcheeba. De céu cinza e pouco contraste.
Quem quer que seja, não me deixe achar que tudo é uma grande idiotice.
Terça-feira, Outubro 10
Chegada
Estranho é sentir-se estranho em casa. Perceber que não há mais espaço e muita coisa mudou.
As cores do banheiro estão mais claras, os utensilhos da cozinha são novos, cada vez mais novos eletrodomésticos e novos gestos.
Agora que não há mais espaço, não sobram dúvidas. Deixe o moço ir, ele quer ficar cada vez mais longe.
Talvez seja pr'a não se conformar com o rumo que as coisas acabam sempre tomando. Ou por ser o rumo que deve ser tomado.