Segunda-feira, Abril 24
Para nós
Ontem andei pelas ruas que ela andou e disse ser lindo se estivéssemos juntos lá.
Chego a duvidar da imperfeição se não fosse minha própria imaginação desenhando nós dois ali, juntos.
Minha camisa listrada, seus esvoaçantes cabelos vermelhos, agora mais curtos, desfilando de mãos dadas pelas ruas de pedras em Paraty.
Eu ando tão confuso.
Quinta-feira, Abril 13
Nove de Julho
O doce cheiro de cerveja preta me faz pensar em ser feliz apesar da saudade, da distância e tudo mais que faz falta. Nisso inclui o calor de alguém para dormir.
Não posso me queixar, por mais que esteja sozinho aqui em cima, tenho a companhia dos que cruzam a avenida lá embaixo. Mesmo sendo tão cedo, umas quatro ou cinco da manhã.
Eu não posso pensar em parar, mesmo que o cheiro tenha de me acompanhar sempre e eu tenha que buscar o "free" das pop-songs, do maço... que venham me contagiar, como os primeiros raios de sol que surgem por trás dos prédios.
Quarta-feira, Abril 5
Lâmpadas
Hoje já vejo nitidamente o que acontece, o real caminho por percorrer. Agora é daqui para adiante, não tem nem como querer voltar.
O que me faz companhia nesse apartamento vazio, sem mobília, é um rádio do qual desconheço as estações.
E mesmo daqui, tão alto, minhas janelas permanecem fechadas. ora pelo ventro frio e sempre pelo barulho intrometido dos carros e helicópteros de São Paulo abafando a mpb que reluta em ecoar pelas paredes cor de sorvete creme.