Sábado, Fevereiro 25
Bela
Que diabos de confusão é essa?
Uma mistura louca e infindável. Meu sentimento se confunde, alterna e se machuca como um ferrão.
Lá, não muito longe agora, só ou não.
Não aguento mais nem pensar nisso, é como algo ruim que vem se aproveitar do meu vunerável.
Mas não é ruim, é bela. É sorridente.
A dose é que foi excessiva.
Sexta-feira, Fevereiro 17
Faz-me bem
A descoberta de um corpo, todos os detalhes de pele e pêlos. Tudo exerce fascínio.
O cabelo depois de um beijo longo ou ainda arrumado. Os brincos que roubam e complementam o brilho dos olhos.
A boca pequena com lingua quente e incessante, os dentes que mordem.
Tudo é engraçado, até as inperfeições que ela odeia.
O perfume entre os seios, na nuca. Parecem e são estratégicos.
Tudo isso fica na memória, fotos não têm cheiro. Mas aqui tem sentimento.
Domingo, Fevereiro 12
Jardineiro
A gente acompanha juntos a chuva fina que cai, cada um da sua janela.
Ainda descompassado, sem muito jeito e verde.
Chuva essa que hidrata as plantas, as flores e ela. A flor.
Depois que as tantas nuvens cinzas se cansarem de ofuscar o sol, ele vai brilhar e arder em alegria. Porque ele sempre estará lá, a alimentar a flor que o jardineiro tanto gosta.
Quinta-feira, Fevereiro 9
Maresia
Tenho parado de sonhar com o mar. O sal dele é o que ainda resta, eu nem sei se é o que quero.
Mas as ondas estão cada vez mais longe e calmas.
Passou a ressaca, a violência das águas que inundaram a cidade e o peito.
É sim, é isso que eu quero agora. Padeci demais.
Amanhã talvez, só um caminhar de pés descalços.
Domingo, Fevereiro 5
Elas
Ai de mim, cada solo, cada porto uma história e vários retratos. Nunca é diferente, nem há de ser.
E elas, sempre encantadoras e até etérias, em comum o sorriso.
Meu rumo incerto não deixa tanta escolha.
Vários cheiros, hábitos, sotaques e sonhos diferentes. Eu no meio disso tudo, só de passagem.