Sexta-feira, Dezembro 30
A montanha russa
Tô mais longe de ser o que deveria.
A esperança é que seja uma descida, uma parte do roteiro.
Comparo a gente com uma montanha russa. Dessas enormes que parece sem fim.
Daquelas de fazer o coração acelerar, de dar frio na barriga.
Mas quando eu subir vou gritar e vou torcer pr'a ficar lá em cima parado, vendo tudo acontecer devagar.
Sexta-feira, Dezembro 23
Check-out
Nem bem cheguei e as despedidas novamente se apresentam.
Talvez seja constante nas escolhas que eu fiz.
Três dias, dois meses ou algumas horas. Uma cidade pequena, metrópole, saguão de aeroporto ou poltrona de ônibus e avião.
Tanta gente passa, vai e a gente nem sabe quando se encontrará novamente.
A vontade é só de dizer até logo.
Quarta-feira, Dezembro 14
Horas restantes
Desde a tarde de ontem torço para os ponteiros andarem mais rápido.
Deitado nesse sofá desconfortável, gravando a sequência de luzes piscantes que enfeitam a sala dessa grande casa que vai esvaziando.
Vinte e poucas horas a mais no frio, vendo o dia acontecer pela enorme janela.
Um pouco mais e matarei saudades das crianças, do cheiro que eu nem lembro mais e quem sabe paro de pensar em beijos que nem sei se vou ganhar.
Que seja rápido, que eu nem sinta o medo de avião.
Sexta-feira, Dezembro 9
Mãos dadas
Tudo que eu preciso agora é dar um tempo. Talvez não seja o que eu quero, mas preciso.
O peito precisa de calmaria, tanto veneno deixou uma inquietação como sequela.
Um gole de normalidade para encher o corpo de rotina. Sem excessos.
Aquilo que já foi dilacerado merece ter um instante de paz. Mãos dadas, passeios, bobagens e um pouco mais do que espasmos de carinho.
Domingo, Dezembro 4
Pão e mortadela
Os novos ares que tanto se queria respirar vieram. Com muito carbono e frio, é verdade.
Mesmo assim os pulmões se encheram de tal forma que ficarão para sempre com as marcas do costume.
Os novos ares também toruxeram alguns desapontamentos, uma esfera quebrada e lições.
Corpos feios, belos rostos e muitos cigarros, contribuem para entender algo que parece não existir.
Preocupar-se com as próximas quatro semanas e ainda lembrar que não é tudo, que resta viver apesar das pontas.