Terça-feira, Novembro 29
Começo do fim
Ela me soa tão carioca como uma balada do Barão... Vermelho.
Sem hora marcada para aparecer e tão menos para ir embora. E foi.
Como diz na letra daquele samba, mesmo fora de ritmo, eu canto para estancar o vermelho.
Vermelho forte do meu lençol, das flores murchas fotografadas, do batom rosado, que eu tirei com beijos e mordidas, entre chopps na mesa daquele
Sexta-feira, Novembro 25
Sem Previsão
Em dias de calor as bermudas tomam conta das calçadas e as roupas leves saltam do armário.
Nos dias quentes as pessoas ficam mais alegres e os bares estão mais lotados. Todo mundo quer sair de casa, a pele alva queima e o sol que arde expulsa o cheiro úmido do carpete.
Dias assim são nostalgicos quando se está longe do equador.
Quarta-feira, Novembro 16
Pratos Enxutos
Essa luz difusa que predomina desde o começo da manhã até os últimos instantes do dia, é indicação dos novos tempos, bem como um céu sem estrelas para situar nas noites sem fim.
É mais um desses ciclos que se fecham para tão logo outro começar a girar. Nesses giros completos que a gente resolver dar eu resolvi fazer algo.
Sem saber muito no que vai dar, mas quem o sabe?
Logo o cordão umbilical será definitivamete rompido, é inevitável. E os membros, agora protegidos somente pelos calos, suportarão.
Sal
Quando as costas quentes e suadas encostam a parede gelada e os corpos trêmulos, a ponto de desfalecer, se encontram novamente, é a plena carnalidade.
Sabe-se lá o que há de ter além, nem me importo em saber agora, já que todos questionamentos são respondidos no silêncio de uma respiração funda e nas murmúrias de declarações efemeramente verdadeiras.
Beijos suaves de lábios amaciados pelo esforço justificável que obrigam os olhos a se fecharem para a mente vagar longe, onde adoro estar.
Aí é quando a tomada despluga e a leveza se torna estado.
É assim, a ainda indescritível sensação de um orgasmo.
Sábado, Novembro 5
Daquela noite na Lapa, até quando?
Não posso esconder que ainda me sinto suspenso. Embora eu tente e pense que assim é melhor.
Mas cada telefonema me deixa a sensação de ter feito mais do que deveria. E sei lá se isso faz alguma diferença.
É só uma maneira de remontar a esfera de vidro que espatifou-se.
Gostaria tanto de saber até quando. Preciso pulsar novamente.
Quinta-feira, Novembro 3
Euforia
É uma forma de dependência, sinto necessidade constante de ter o corpo queimando, ardendo de ansiedade. É como se uma explosão de serpentinas fosse inundar-me.
Paixões, planos, paz e vento. Essa vontade de ter o mundo em apenas um enlace de pernas me toma o peito com um calor tal qual uma agulha que perfura a pele e tão logo passa.
Talvez seja overdose o que eu mereça. Mas por onde começar, se nem sempre centelhas são o suficiente?