Domingo, Outubro 23
Dedos Queimados
Saudade a gente sente e no começo chora todas as noites por vários motivos. Mas depois de alguns meses fica calejado e nem se aflinge mais quando passa as noites de sábado olhando para as luzes que se acendem e apagam nas paredes de concreto que dominam a paisagem nublada, cinzenta e colorida ao mesmo tempo.
Uma vida nova começa aos poucos e haja diferença para acostumar. Daqui em diante será assim, e acho até que eu já sabia e queria.
Sendo assim, deixo que os retratos falarão por mim.
Sexta-feira, Outubro 14
Daqui pr'a frente
Semana após semana estou indo rumo ao que deve ser maturidade. Sinto o peso da responsabilidade aumentar sobre meus ombros até então frágeis e protegidos.
Descobrimos que tudo é aquilo mesmo; cru, sem maquiagem ou romantismo.
Cabe a quem quer e como quer enxergar, pode ser um filtro amarelado ou verde instantâneo.
O importante é não deixar de pensar e querer coisas realmente boas.
Sábado, Outubro 8
Vermelho dos cabelos, da dor
Um dos poucos motivos que me fazem estar em paz é lembrar dela sorrindo vindo ao meu encontro. Bela como o nome já diz.
Penso que não posso alimentar isso, mas por um instante achei que aquele fim de tarde seria para sempre.
Aproveito, para rabiscar, o verso de uma carta que não mandei e talvez tenha sido melhor assim.
Até porque dói, perfurou fundo e atingiu o âmago que agora sangra vermelho dos cabelos cheirosos e tingidos que ela tem.
Terça-feira, Outubro 4
Ontem e hoje
Dias ensolarados fazem tamanha diferença. O calor da luz que invade pela janela esquenta o chão que não se pisa sempre.
O sol quebra o gelo, muda o tmepo acinzentado e tira as roupas leves do armário.
Mas o sol que raro se vê é lembrança de outrora, é pr'a quebrar a normalidade. Refletindo os espelhos azuis dos prédios de avenidas por onde passo.