Terça-feira, Setembro 27
As ruas de Ipanema
As ruas de Ipanema me causarão lembranças desconfortáveis de uma dança descompassada.
Talvez uma dose exagerada de carinho misturada com carência momentânea. O resultado é um coraçao dilacerado e quente.
A impressão que tenho agora é que dancei sozinho. Uma bossa-nova latejante.
Aqueles cabelos mais curtos, ainda vermelhos e todas as imagens pintadas na pele tão macia. Todos os detalhes, tão perto...
Curti, curtimos mas não sei o que houve. Eu queria mais do que aquilo tudo que aconteceu.
Até ontem ainda sentia o gosto da boca dela boca na minha boca. Não era doce mas ficou impregnado. Era o gosto do veneno que a linda serpente injetou em mim, o gosto do amor.
Eu que tanto quis, provei.
Quarta-feira, Setembro 21
Desfoque
Uma dúvida deve pairar no ar sobre as ambições que carrego comigo. Ora, o que mais posso exigir da vida se não mais algumas décadas. Disposição não há de faltar para recortar em branco e preto o que me convém. E faz tempo que é assim.
Eu nem sei se há um lugar capaz de me fazer fincar. Já faço tantos planos para ter um plano só. Viver plena e intensamente na minha forma.
Ah, como eu queria parar e organizar tudo. Melhor não.
Quarta-feira, Setembro 14
Nova
Mesmice não é de toda ruim, Domingo ou Quinta não precisam parecer tão distintos. E ainda bem que não me são.
Ao seu tempo, ao meu tempo. Tudo haverá de se encaixar, os lábios hão de se encontrar assim como os corpos irão deitar.
Não importa, o céu continua cinza, seja Quinta ou Domingo.
Eu quem dou o tom.
Terça-feira, Setembro 6
Carência é nada
Sozinho já é quase adjetivo, é maneira qual tenho permancido.
Até quando, adoraria saber. Cansei.
Sinto falta de um diálogo, nem que seja de esquina - onde há sempre um cigarro aceso - enquanto o semáforo insiste em não abrir.
Além do mais escassez começa a me afetar; sexo, álcool e tudo mais. Cada vez mais vontade.