Domingo, Agosto 28
Paterno
Não sei o que será, ou se será, dos meus dias se até os trinta os filhos não chegarem. Se até lá não houver pretexto para continuar.
Herdeiros de uma vida repensada tantas vezes, por quem derramarei lágrimas de alegria, capaz de ser motivo de não me deixar desistir pelo meio.
Sexta-feira, Agosto 19
Acostuma
Ando tão a flor da pele que até Zeca Baleiro sentiria pena de mim.
As belas branquelas paulistanas amenizam a falta da antiga rotina, mas ainda sinto o baque.
Por enquanto minhas lamúrias ocupam grande espaço. Ainda é nebuloso olhar pr'a frente e não saber.
Por enquanto vou tentando me acostumar com o cheiro das ruas e das pessoas. Tentando decorar os caminhos da nova rotina.
Segunda-feira, Agosto 15
Saguão
Notei que a minha barba embranqueceu nesses últimos dias. Sei lá a relação disso com tudo que me ocorre.
Essa cidade é mesmo um emaranhado de prédios que até o horizonte se faz em concreto.
Sinto frio, sinto saudades e arrepios. Falta dinheiro também, faltam abraços e beijos. Sinto falta de rostos conhecidos no supermercado.
As avenidas daqui são mais compridas, as mulheres são branquelas e eu tô aprendendo o que antes seria impossível.
Terça-feira, Agosto 9
Depois de amanhã
É impressionante, e às vezes encantadora, as formas que a vida toma.
A gente não compreende e acaba denominando destino.
Até outro dia eu não tinha muita escolha e parecia fadado ao caminho que as paredes de cor salmão me levariam.
Não sei onde estarei semana que vem ou se voltarei. Nem sei mesmo o que será desse lugar, tentarei mantê-lo.
Afinal, não faltarão motivos e experiências.
Quinta-feira, Agosto 4
Constante...
Nunca mais vi uma daquelas balanças com dois pratos. Daquelas que os pesos iguais mantinham o equilíbrio.
Nunca mais vi e nem me senti assim. Normalmente tenho picos de euforia que duram uma tarde, um gole. Logo em seguida uma nuvem cinza de angústia toma conta do céu. O que há além do céu¿