Terça-feira, Junho 28
Doce suco de laranja
É a noite que eu perco o sono, quando o silencio dos quarteirões é quebrado por latidos irritantes, e entro em desespero. Desespero por ser noite, por ter de dormir esperando o sono.
Minha prisão é como uma caverna mitológica, eu sei. Sinto medo, sinto falta dos raios amarelados e sinto falta da coragem que arde, de tão grande, durante o dia.
Sexta-feira, Junho 24
Vermelho
Os meses vão se acumulando nas folhas de um calendário e o que era antes já não é mais agora.
Um amor que era único sem despedida se perdeu, agora quem sabe se diverte nos calçadões de frente ao mar.
Vez ou outra um telefonema, um recado assim sem dizer muito. Só pra dizer que não esqueceu.
Sexta-feira, Junho 17
Das imagens
Parece que agora uma certeza paira sobre tantas dúvidas.
Apesar de não saber bem por qual viés percorrer, vejo uma certeza cada vez mais nítida.
Um fazer por gostar, prá viver bem e em paz. Ganhar algum é claro, o suficiente.
Há uma imensidão de planos e ângulos abertos, experimentalismo e clichês por serem enquadrados.
O mundo está aí; para ser retratado e mastigado. Tem de enxergá-lo com os olhos de uma grande-angular.
Terça-feira, Junho 7
1/4 de mês
A semana começou e passo a acreditar que todos meus dilemas se resolverão no dia em que morrerei.
Pode parecer que não ligo muito pro que vem depois, que se dane o resto que não é problema meu.
Os meus levarei com minhas cinzas, os demais ficarão aí. Insolucionáveis.
Quem sabe desse jeito eu fique mais tranquilo e esse mês custe a passar um pouco mais.
E assim venham mais sete dias.
Quinta-feira, Junho 2
Desmemória
Já devia ter divagado sobre isso antes, mas pela própria causa eu nunca tenho lembrado. Fato é que isso agora desperta minha preocupação.
Não deve estar tudo bem, se eu preciso olhar três vezes para os ponteiros até ter certeza da hora ou se os dias da semana se misturam e confundem-se na minha cabeça, está¿